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O "eu" ordinário é acúmulo de conhecimento.


O conhecimento condiciona o homem. O conhecimento tem a qualidade de liberar a mente? O conhecimento não tem, mas a qualidade que você obtêm do conhecimento: senso de capacidade, de saber, o peso, isso fortalece o ego. A palavra conhecimento significa o acúmulo de informações, experiência, teorias, passado e presente... O passado ajuda, pois o conhecimento é passado?

Pode uma mente que está sobrecarregada de conhecimento ver a verdade? Para ver a verdade, a mente deve estar livre de conhecimento. O começo importa enormemente que pode, até, condicionar o futuro enquanto cresce. A liberdade é limitada pelo conhecimento. Não há acumulação certa ou errada de conhecimento...

Diz o budista, eu não tenho dúvida na minha mente. K responde, então paramos de questionar.

É possível uma evolução psicológica, um amanhã serei bom?
Diz, em geral, nós, a humanidade, sempre soubemos que devemos ser bons, se houvesse essa possibilidade, nós não seríamos o que somos hoje, já teríamos evoluídos.

Diz K. houve progresso tecnológico, mas psicologicamente, interiormente, continuamos os mesmos.

Biologicamente há evolução, e aceitamos essa evolução no campo psicológico.

A realização, a visão, da verdade é fora do tempo!

Momento 32:40,

Como posso evitar o acúmulo de conhecimento? Posso evitar psicologicamente! Como posso fazer, já que estou condicionado?

Eu fui, eu sou, eu serei, este é o padrão de condicionamento da evolução.

O homem ordinário diz, eu não sou tão bom quanto deveria, eventualmente, me dê uns anos, e serei.

Como quebrar esse padrão, sem o tempo, instantaneamente!

O conhecimento tem um certo fascínio, diz um novo personagem que aparece no vídeo, alguém acumula conhecimento, seja budista ou cientista,  e isso lhe dá um peculiar sendo de liberdade, embora não seja liberdade. E depois de anos de estudo, encontra-se muita dificuldade para sair disso.

A liberdade para o condicionamento é ver!

Diz o K. que não é "como" ver; não há como.

Eu sou um ser humano e represento toda a humanidade. Homem-cosmos, microcosmos.

É preciso ver, e não aceitar a teoria, a idéia, pois estas são conhecimento. Há de ver o FATO! No momento em que eu vejo o fato, sem idéias ou teorias. Estas me levam para além do fato, criam imagens, tornam-se idéias, conhecimento e a busca disto. Se eu vejo é um fato, não é mais teoria.

Eu quero me tornar algo. Quer dizer, você quer satisfação, segurança, certeza, um sentimento de realização. E é nessa vontade que há o movimento.

Eu não quero ver isso, me dá medo, eu tento colocá-lo distante. Portanto, estou vivendo uma ilusão.

Diz K. que quando você vê tem feito, não há medo. Pergunta K., porque você não quer ver? Nós estamos vivendo com idéias e conhecimentos, não com fatos!

Um homem "mau" não pode tornar-se bom (sem aspas). A bondade não é o oposto do mal. Oposição significa dualidade. Há um oposto do medo, do amor, da bondade? Toda a linguagem é dualista tal como é.

A coragem é o oposto do medo? Se o medo é inexistente, isso é coragem? Bondade nunca é o oposto do mau.

O que está envolvido nessa idéia: eu vou mudar, progredir a partir do meu condicionamento, que é mau, para a liberdade do condicionamento, que é bom. Dessa forma a liberdade é o oposto do meu condicionamento. E isto não é liberdade alguma! Essa liberdade nasce do meu condicionamento. Eu estou preso e quero ser livre. É uma reação à prisão que não é, de forma nenhuma, liberdade.

O amor é o oposto do ódio. Se e, nesse afeto, há ódio. Pois nasce do ódio, do oposto. Todos os opostos nascem de seus próprios opostos. Qualquer coisa que nasce do seu oposto, contêm seu oposto.

Se eu tenho medo, eu "cultivo" a coragem para me afastar desse medo.

Se alguém odeia, diz: Eu não devo ser isso, devo ser aquilo. Seu próprio amor contêm o ódio.

Nós estamos sempre nesse corredor de opostos. K. questiona todo o corredor. Nós inventamos ele, mas não existe.

Dr. Bohm diz que no passado as pessoas eram muito mais bárbaras do que hoje. A Doutora diz que hoje ela já não pode mais rir de alguém que quebrou a perna. Isso, para ela, é um fator de humanização. Um progresso, afirma Dr. Bohm. Algumas pessoas olham para o seu passado e afirmam que já não são tão bárbaras como antes.

K. diz que ainda somos bárbaros. E Flávia, que não está presente na palestra, mas está assistindo concorda com K. Flávia move-se nesse corredor de opostos, a culpa, o sentimento de ser mau, a levou a ser "boa". Mas a velha Flávia bárbara continua viva.

K.: Dize, eu sou melhor do que fui, não tem significado. Eu vejo como o oposto nasce. Eu sou ganancioso, isto é um fato. Eu tento tornar-me "não-ganancioso", isto é um não-fato! Mas se eu continar com o fato "sou ganancioso", então posso fazer algo sobre, não há o oposto (criado de forma automática, mecânica). A violência é um fato, eu crio a não-violência que é um ideal. A não-violência é um não-fato. Eu posso lidar com fatos, não com não-fatos.

Meu ponto é que não existe dualidade. Essa é uma invenção dos intelectuais, que dizem existir o oposto, e trabalham para isso. Os utópicos, os idealistas, o fato é que sou violento. É só isso. Deixe-me lidar com isso, e para lidar eu não invento a não-violência. (como lidar com isso?)

Fatos não precisam ser aceitos, só vistos. Eu devo ver o que fiz (e faço). Eu evito o fato e fujo para o não-fato.

Fugir do fato é perigoso, portanto, não fuja!

K.: A Índia tem praticado a não-violência que é, absurda (nonsense). Só há violência, deixe-me lidar com isso. Deixe os seres humanos lidarem com a violência, não com o ideal da não-violência.

Portanto, não há progresso. Quando temos um ideal, para alcançar esse ideal, preciso de tempo. Portanto, eu vou evoluir para isso. Assim, sem ideal, só fatos! Para olhar para os fatos, o tempo não é necessário. Se o tempo não é necessário, posso ver agora. Se você levar a sério, o tempo não é necessário. Então, talvez, pudesse esclarecer a coisa toda agora. Quando tempos ideais, separados do tempo, o tempo, o progresso é necessário. Você pode abandonar seus ideais?

Pode um ser humano ser livre da ganância agora? Não estou interessado no amanhã, quero estar livre da dor, do sofrimento, agora. Então, o que é ganância? A própria palavra é condenatória, (em inglês, greedy). A palavra tem estado na minha mente por séculos e, imediatamente, a palavra condena o fato! Ao dizer sou ganancioso, eu já condeno.

Posso olhar para a palavra sem seu condicionamento, tradição, conteúdo, insinuações?

Você só pode entender a profundidade e o sentimento da ganância se estiver livre da palavra. Esse sentimento, sem palavra,

Como minha mente está cheia de palavras, presa por palavras, pode olhar para algo sem a palavra? Então, só, sem a palavra eu vejo o fato.  Eu quero ser livre da ganância, pois está no meu sangue, tradição, educação, condicionamento, tudo que diz que devo ser livre dela. Então, há todo tempo, estou fazendo esforço para livrar-me dela. O fato é que sou ganancioso, eu quero entender a natureza e estrutura desse sentimento. Qual é? Se é lembrança, eu olho a ganância presente com as lembranças do passado. As lembranças do passado disseram para condená-la. Posso olhar para isso sem as lembranças do passado? A lembrança do passado condena e, por isso, reforça. (isto parece à Flávia um ponto central) A própria negação do fato o reforça.

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