Pular para o conteúdo principal

das terceira tentativas

vim aqui pra escrever uma coisa, escrevi outra, escrevi uma quarta. será que agora me foco e vai?

claro.

pois bem, o que eu queria dizer quando me interrompi pela fala do vizinho eu já não lembro. mas vou achar, é só catar. vai parecer meio torto, nunca é a realidade dos fatos essa memória coletora.

pois então, eu contaria um relato. um flagrante a mãos armadas de um "eu" daqueles bem destrutivos. sabe aqueles eu que ninguém quer ser. por bem, "eu sou um deles".

aquele eu que pensa, sofre e justifica seu sofrimento a partir da atuação dos outros. o processo é tão real, tão normal que de fato, estou louca. louca para tudo o que já fui e pensei.

tudo começa com um incômodo. ele me olhou estranho. ele falou isso. e uma avalanche de histórias passam pela cabeça. não, elas não são agradáveis, mas envolvem momentos prazerosos quando eu finalmente me livrar daquele "ser".

ele é o meu algoz. ele me faz mal. estando longe dele estarei bem. farei isso e aquilo outro. isso tudo pode ocorrer num segundo e continuar martelando infinitamente por dias. tudo depende do meu processo de identificação?
estou dormindo, viro aquilo! pensei, achei que era realidade, me identifiquei, caí na armadilha.

quantas infinitas vezes "isto" já ocorreu na minha existência. quanto sono e sofrimento. sofrimento em mim, sofrimento nos outros.

quando caio na identificação, alimento a história mais e mais. é sem fim. até que explode, e eu explodo junto. assumo o meu papel de vítima, caio na mesma ladainha e, normalmente, graças a deus!, sou desmascarada. choro, me descontrolo e me envergonho. ao menos me envergonho. eu caí, sofri e fiz outro sofrer.

agora sinto que essas palavras são desnecessárias. espero poder usá-las com um aviso a mim mesma para não ser mais a vítima de mim.

eu procuro um porquê.

um deles é: me sinto especial e importante. quando algo é especial e importante ele pode ser usado. quem vai querer usar algo sem importância. mas se eu sou superior, se tenho algo a oferecer aos outros que eles não tem, esse meu algo pode ser roubado. pode ser o "meu dinheiro, a minha generosidade, o meu conhecimento".

dinheiro, generosidade, conhecimento essas coisas existem. sabe o que não existe? o meu, eu não possuo essas coisas, e por não possui-las nada pode me ser roubado.

eu não tenho um eu a ser ferido, magoado, insultado e por não tê-lo em nada posso me ferir.

viver assim é ser livre. eu ainda não estou lá, e você?
Descubro que não tem você nenhum além de mim mesma para responder a essa pergunta. Aguardo a resposta a partir da nossa evolução.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

quando começa?

Por onde começar? Começa pelo começo grita o papagaio que mora na minha cabeça. Mas onde é o começo?, pergunto. E o papagaio se cala. Afinal, ele só sabe repetir um punhado de frases prontas. O papagaio aprendeu que tudo que tem um fim tem um começo. O papagaio sabe que aquilo que nasce está fadado à morte.  Mas será possível a existência de algo que não tenha fim nem começo? É nos possível capturar o primeiro instante do surgimento de algo?  O que é nascer, o que é morrer? O que é o começo, e o que é o fim? Estamos nos últimos dias do ano de 2016. O papagaio aprendeu que isso é o fim de um ciclo, e o início de outro. Entretanto, quando o papagaio despertar na manhã do novo dia, ele continuará sendo o mesmo velho papagaio repetidor de passados, repetidor dele mesmo.  Para o papagaio não há fim, e portanto não há começo.

A Trajetória da Salvação

Brotos de Girassol Não, calma, eles não vão virar sabonetes. Mas eles são parte, deveras importante, da produção de sabão. Sim, eles são alimento. Alimento para o corpo da tal saboeira que, veja só, além de fazer sabão, também escreve, respira, come, pensa e ó, como pensa essa menina. Eles são parte de uma trajetória que começou, bem, começou quando a Flávia nasceu. A Flávia nasceu, respirou, comeu, andou, aprendeu a nadar, a escrever, a falar. Tudo bem direitinho, como mandava o figurino à época. Como todos nós fazemos, por mais que desejemos pensar o contrário. E, em determinado momento na trajetória da vida da Flávia, quando ela já tinha pra lá de um par de décadas, surgiram os brotos de girassol. Calma, eu explico, não vá tomar tudo ao pé da letra, mas tampouco vou lhe ajudar muito a vida, leitor. Não vou mastigar tudinho, é preciso que você acompanhe o nosso pensar. Em determinado momento, a Flávia se deparou com algumas ideias, um conhecimento novo que, gradativamente,...

A Trajetória da Pregação

Embora gostemos de imaginar que não, todos vivemos através das nossas crenças. Claro que ler isso não será e não é suficiente para que a percepção desse fato lhe venha, ou, dizendo em outras palavras, para que lhe caía a ficha de que você é um crente. Sim, eu sei, é difícil, muito difícil de admitir, principalmente se você baseou toda a sua concepção de vida numa ideia "lógica, racional e cientificamente comprovada". Ou seja, se você lá nos seus primeiros passos refutou a concepção de vida que lhe era ensinada. Mas está é a história da Flávia.  A Flávia, muito certa de suas convicções, questionava os conceitos religiosos e morais do seu meio. Ou seja, ela reagiu aquilo imitando outros conceitos. Embora agrade a vaidade dela, não era nada novo, era apenas imitação. Como ainda continua sendo, mesmo que, repito, gostemos de pensar o oposto. O fato é que não fazemos nada de novo. E a Flávia, como representante da humanidade, trocou uma crença pela outra. Descartou ...