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se você está infeliz, pergunte àquele que está infeliz

quem é o eu que está infeliz? que parte de mim alimenta essa infelicidade?

a parte que está insatisfeita com o que é. a parte que está insatisfeita com o que "eu sou". com a imagem que ela projeta de "mim".

essa parte é cheia de deverias. quando já não pode mais culpar o exterior pela sua infelicidade, volta-se então para dentro. nesse momento, percebo uma avalanche de deverias. culpas, medos, insatisfações e planos de "como posso satisfazê-las".

se me identifico, começo a alimentar esse eu. começo a achar que eu sou esse "eu". então eu tenho de mudar. tenho de fazer exercícios físicos, me organizar, ser magra, comer melhor. tenho de ser desse jeito ou assado.

essa também é a parte que tem inveja e ambiciona. observo que, basicamente, é um eu do desejo. desejo de ser diferente de "quem estou agora".

logicamente, esses pensamentos trazem angústia. uma sensação de nulidade.

esse eu, que tanto deseja, quer tudo isso, justamente, por sentir-se inferior. é uma necessidade de autoafirmação.

assim, então: o eu do desejo é o eu inferior. o eu da inveja é o eu do amor próprio.

os eus tem muitas facetas. todas elas extremamente perigosas. ao abandonar o amor próprio abandono o desejo, a inveja, a insatisfação. enquanto alimentar algum "eu", essa noção de uma entidade separada, sofrerei.

enquanto desejar sofrerei.


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