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Eu sou um sujo espelho que reflete você.

Há algo em mim que não seja simples repetição? O que chamo de eu, é essa vida condicionada, esse amontoado de imagens projetadas. Todo o movimento é mecânico, não há nada novo, não há eu, sou, unicamente, um amontoado de gentes com suas esperanças, medos, desejos, vontades, prazeres. Sou um nada, uma nulidade, um zero. Nada há de novo aqui.


J.Krishnamurti - 4º - Sobre a criação de imagens - "A Transformação Homem"

Porque os seres humanos vivem da maneira que vivem?

Pode o ser humano permanecer psicologicamente sozinho? A principal razão de os serem humanos não realizarem uma radical transformação é o medo de não serem parte de um grupo (sentido de pertencimento). K. diz que só a partir dessa solitude pode-se cooperar.
Diz Bohm que antropólogos perceberam que nos povos primitivos o sentido de tribo era muito forte, existe a segurança psicológica de estar na tribo. Quando se é tirado do grupo, a pessoa se sente perdida, pois já não sabe quem é. A maior punição que um grupo poderia fazer é bani-lo.

(lembre-se do Rei Leão, o pequeno leão perde a sua identidade, aí encontra hakuna matata, viva e deixe viver, e a partir daí constrói uma nova identidade e sentido de pertencimento. fazer parte de um grupo "de fora" ainda é um grupo, ser a ovelha negra, ainda é ser uma ovelha, você só mudou a cor dos seus pelos, continua no rebanho)

Porque os seres humanos não conhecem nada além disso, eles se apegam ao seu estado atual (de confusão, conflito, ao grupo.

O conhecimento é basicamente colecionado, faz parte de se estar num grupo. Estar sozinho implica total liberdade.

O Universo implica total ordem, se você é invejoso, raivoso, ciumento, violento, enfim o caos... como pode dizer que é o universo? pergunta K.

O cosmos em grego significa ordem.

(Assim, sua identidade, sua noção de eu, dá-se pelo grupo, no estar relacionado à ele, com todas as identificações, sou isso, sou aquilo, não sou isso... Eu só sou em relação à algo.)

Na solitude é possível estar completamente seguro.

A sociedade nos dá um falso senso de estarmos sozinhos quando é, na realidade, fragmentação.

Nós temos o caos. Como saímos (move away from that)?

1º medo de ficar sozinho
2º aceitamos as coisas como são

A palavra "tudo" é um condicionamento. Encerra um mundo de possibilidades

O pensamento não vê seu próprio limite e verifica que não pode mudar a si mesmo. O próprio pensamento está por trás de tudo isso. O pensamento está tratando "eu" como uma realidade independente. O pensamento criou o "eu". O "eu" não é separado do pensamento. O pensamento vê o caos que criou? O pensamento está consciente de si mesmo como movimento? Eu sou o pensamento. O que sustenta esse movimento do pensamento? Porque o pensamento se move? Movimento é tempo. Daqui para Londres, eu sou isso eu devo ser aquilo. Se o pensamento parou não há movimento.

Dr. Bohm pergunta: o que me faz continuar pensando ou falando?

O pensamento percebe a si mesmo como movimento. Nesse movimento, o pensamento cria um "eu". Quando o movimento pára não existe "eu". O "eu" é o tempo, construído pelo tempo, que é pensamento. Quando o movimento do pensamento acaba, há ação total.
É a morte de tudo, pois tudo o que sei está lá. Assim que você traz o pensamento, há imaginação e fantasia que é sentida como real. Então você não está mais com o fato (presente) Quando você se defronta com o fato, não há medo. Todo o pensamento é medo e todo medo é pensamento. Este fato "acontece" pode o pensamento não se mover, mas manter-se somente com este fato?

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